25.11.11

"Life sucks and then you die."*

* uma crítica bem humorada a Melancholia (Lars von Trier 2011),  Mark Hobin no Rotten Tomatoes.

Mas não interessa muito agora dissertar sobre a vida e a morte, embora Lars von Trier tenha muito gosto em fazê-lo, de preferência com muito sofrimento - tendencialmente feminino - à mistura. Kirsten Dunst é uma senhora que sofre de uma doença indefinida, com uma família disfuncional. O filme baseia-se na relação dela com a irmã - cada uma delas têm direito a uma parte do filme em que é "protagonista" ("Justine" e "Claire") - sendo a estória apimentada com um suposto planeta, "Melancholia",em rota de colisão com a Terra. Já li algumas críticas que sustentam que o tal planeta que choca com a Terra é uma metáfora, blá blá blá, até ai posso aceitar, até porque acho que o nome Melancolia não é inocente, tanto pelo significado da palavra e a sua relação com o estado de espírito de ambas as protagonistas, como pelo facto de "melancolia" ser originalmente um dos pecados capitais - hoje em dia bem que os cristãos tavam lixados, com tanta depressão que prai anda...
A questão é que a senhora Dunst ainda tem que comer muita sopinha para fazer uma interpretação digna de um Lars e que não envergonhe as suas predecessoras. É sempre arriscado apostar em figuras muito vistas para este tipo de filme. Lars contrariou esta afirmação quando apostou - e muito bem - em Nicole Kidman para Dogville. Arriscou ao fazê-lo de novo, ainda por cima rodeando Dunst de Alexander Skarsgård, Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland - o primeiro é a mais recente paixão das pitas (eu incluída) da super-série vampiresca True Blood, Charlotte teve um papel tão marcante em Antichrist que é um erro usá-la no filme seguinte (embora tenha um bom desempenho) e Kiefer, o senhor 24 Horas, até se porta razoavelmente bem prá coisa.

Mas já me estou a perder, não era minha intenção dissecar o filme, mas sim esta imagem:



Esta imagem figura na maior parte dos cartazes promocionais do filme e faz parte da sequência inicial, uma coisa super formalista que Lars inventou como prólogo e que só se irá perceber bem no fim do filme.
Quando vi isto, pensei para comigo : "Outra vez a Ofélia". 


Ophelia(a do Hamlet, que se afoga no rio) é um dos quadros mais famosos de John Everett Millais, pintado entre 1851-52. Foi sempre um quadro que me fascinou e não é a primeira vez que topo que alguém o usa como referência, já aqui tinha falado nele a propósito do Nick Cave e do vídeo da Where the Wild Roses Grow.
Mas, claro, posso estar a ver coisas onde não existem, tanto quadro, tanta referência que praí anda...no entanto o senhor Lars é um querido e faz questão de nos mostrar de onde vêm as coisas :




Há uma cena em que Justine (Dunst) está na biblioteca, chateada com a vida, olha à sua volta e só vê quadros abstractos nos livros expostos ( tudo Suprematismo, arriscar-me-ia a dizer tudo do Malevich, na segunda imagem vê-se bem o Quadrado Branco Sobre Fundo Branco). Então, começa a substituí-los por outros livros, com pinturas figurativas.





E...voilá! A Ophelia lá no meio!

1 comentários:

O Puto disse...

Por acaso, até achei a Kristin Dunst bastante bem neste filme. Tinha algo de semelhante à irmã Lisbon em "Virgens Suicidas". O que nunca pensei é ver "Lars [Von Trier] é um querido" escrito, nem que seja num tom sarcástico. O homem é (e faz) das coisas mais anti-eróticas que conheço.